O Passat Iraque é uma das histórias mais curiosas do antigomobilismo brasileiro: um Passat de quatro portas, bem equipado, fabricado no Brasil para ser exportado ao Iraque dos anos 1980 e pago com petróleo. Como a Volkswagen vendeu cerca de 170 mil carros desse jeito, e o que o Passat Iraque tinha de diferente dos Passat vendidos aqui?

Como o Passat foi parar no Iraque
O Passat tipo exportação nasceu de um acordo entre a Volkswagen, a Petrobras e o governo do Iraque. Na prática, o carro era pago em petróleo: a montadora repassava o óleo para a Petrobras e recebia da estatal o dinheiro vivo. Foi um dos primeiros grandes sucessos de exportação da Volkswagen do Brasil.
As fontes concordam em quase tudo: a Volkswagen enviou o Passat ao Iraque de 1983 a 1988, num total de cerca de 170 mil unidades, um recorde de exportação para a época. A partir de 1986, porém, os embarques diminuíram e a montadora acabou colocando o excedente de produção à venda no Brasil. O Autoentusiastas lembra dessas sobras de exportação circulando por aqui, a maioria entre 1986 e 1987.
O que o Passat Iraque tinha de diferente
Para o gosto e para o clima do Iraque, o Passat saía de fábrica com uma receita própria. A mecânica era mais simples do que a dos carros vendidos no Brasil, e o conforto era maior. Veja os detalhes que a imprensa da época registrou:
- Motor: o antigo 1.6 MD-270, a gasolina, em vez do moderno AP das versões brasileiras;
- Câmbio: de quatro marchas, tudo para baratear a manutenção;
- Radiador: de cobre, no lugar do de alumínio, para ajudar a dissipar o calor;
- Carroceria: só de quatro portas;
- Painel: completo, como o do Santana CD, com voltímetro e medidor de pressão do óleo;
- Conforto: ar-condicionado, item fundamental no calor do deserto, e bancos Recaro, com ajuste de altura no do motorista.
Vermelho, branco e cinza com veludo vinho
As cores também eram escolhidas a dedo. Os carros pintados de vermelho, branco ou cinza tinham forração em veludo vinho, enquanto o azul vinha com forração cinza. O Autoentusiastas, que se lembra bem desses Passat circulando no Brasil, conta que poucos eram azuis e a maioria era vermelha, e muitos vermelhos até por dentro, embora alguns poucos tivessem o interior branco.

O “Passat Brazili” de Bagdá
No Brasil, o carro ficou conhecido como Passat iraquiano ou Passat Iraque. No Iraque, segundo o Motonline, era chamado de Passat Brazili. Veterano, ele seguiu rodando por décadas: em 2003, quando a imprensa mostrou as imagens da invasão americana, o velho Passat apareceu como um dos carros mais comuns nas ruas, e muitos ainda trabalhavam como táxi.

O Passat no Brasil: de onde veio o carro
O Passat foi o primeiro Volkswagen brasileiro com motor dianteiro e refrigerado a água, uma ruptura com a era do ar que o Fusca havia inaugurado. Segundo a Vrum, o carro chegou aqui em versão de duas portas, com motor de 1,5 litro e 65 cv e velocidade máxima de 150 km/h, e a carroceria de quatro portas veio no ano seguinte. Ele foi a base de um sucesso de exportação, e o caso do Iraque mostra que o Passat conseguiu ir muito além das ruas brasileiras.

Como identificar um Passat Iraque hoje
O apelido Passat Iraque virou rótulo entre colecionadores, e por isso vale cautela na hora de comprar. Os traços que mais ajudam são os da lista acima: quatro portas, painel completo com voltímetro e manômetro de óleo, ar-condicionado, bancos Recaro e a combinação de cores e forração em veludo vinho. Como todo clássico, a conferência de documentos e de peças originais deve vir antes do preço. Para saber mais sobre curiosidades parecidas, veja a categoria Curiosidades e Cultura Automotiva.
Perguntas frequentes sobre o Passat Iraque
O que foi o Passat Iraque?
Foi o Passat de quatro portas, bem equipado, que a Volkswagen do Brasil exportou para o Iraque entre 1983 e 1988, num acordo com a Petrobras e o governo iraquiano que usava petróleo como pagamento.
Quantos Passat foram para o Iraque?
As fontes falam em cerca de 170 mil unidades, entre 1983 e 1988.
Que motor tinha o Passat Iraque?
O 1.6 MD-270 a gasolina, mais antigo que o AP usado nos Passat vendidos no Brasil, com câmbio de quatro marchas. A ideia era baratear a manutenção.
Dava para comprar um Passat Iraque no Brasil?
Sim. Com a queda das exportações, a partir de 1986, a Volkswagen vendeu no mercado brasileiro o excedente de produção, e esses carros apareceram nas ruas, a maioria entre 1986 e 1987.
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Fontes consultadas
- Motonline: Guerra na TV, o senhor do deserto
- Motor Show: 14 curiosidades sobre as exportações da VW do Brasil
- Autoentusiastas: lembranças de carros dos anos 1980 e 1990
- Vrum: Antigos do Brasil, Volkswagen a água
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