O Opala SS foi a resposta da Chevrolet para quem queria um carro nacional com cara de esportivo e coração de seis cilindros. Faixas pretas no capô, bancos individuais, câmbio de quatro marchas no assoalho e o motor 4100 fizeram dele um dos símbolos da era dos grandes motores brasileiros.
Neste artigo, o Farol Redondo conta a história do Opala SS: como ele nasceu, o que a sigla quer dizer, a briga com o Maverick V8 que gerou o lendário motor 250-S, o curioso SS4 de quatro cilindros e o que aconteceu com o esportivo no fim da carreira. Se você quer a história do carro inteiro, ela está em Opala: a história do primeiro Chevrolet de passeio feito no Brasil.
Como nasceu o Opala SS
Quando o Opala foi apresentado, no Salão do Automóvel de 1968, a proposta era um sedã elegante e familiar, com motor de quatro ou seis cilindros, câmbio de três marchas com alavanca na coluna e banco dianteiro inteiriço. O carro caiu em cheio no gosto do brasileiro, e a Chevrolet percebeu logo que diversificar a linha ia render mais vendas.
A versão esportiva chegou em 1970, segundo o Vrum e o Autoentusiastas; a Wikipédia fala em 1971. Era, no início, um quatro-portas. O motor de seis cilindros em linha de 3,8 litros e 125 cv deu lugar ao 4100 (250 polegadas cúbicas, ou 4.093 cm³), com cilindros de 98,4 mm e curso de 89,6 mm e 140 cv, na medição da época. A potência subiu pouco, mas o torque cresceu bastante, e isso melhorou arrancadas, retomadas e a forma de dirigir. Pela primeira vez, o Opala também tinha câmbio de quatro marchas com a alavanca no assoalho.

O que significa SS no Opala?
Muita gente jura que SS quer dizer Super Sport, como nos muscle cars americanos. A explicação mais citada pelas fontes brasileiras, porém, é outra: Separate Seats, ou bancos separados. O SS foi o primeiro Opala com dois bancos dianteiros individuais, no lugar do banco inteiriço, e era isso que o diferenciava por dentro. A Wikipédia ainda registra a leitura Super Star e lembra que a GM nunca confirmou nem desmentiu nenhuma delas.
O pacote esportivo incluía volante de três raios, conta-giros, rodas esportivas e as famosas faixas pretas no capô, nas laterais e no painel traseiro, com a inscrição SS nos para-lamas. Era visual de carro rápido, e o motor mostrava que não era só enfeite.
Do sedã ao cupê
Em 1971 chegou o cupê de duas portas, sem coluna central, que deixava o Opala parecido com um conversível de capota. O SS passou a ser oferecido nessa carroceria no ano seguinte e, aos poucos, o quatro-portas esportivo saiu de cena. A Wikipédia lembra que, depois do cupê, quase todos os SS foram montados nesse formato, com produção mínima de quatro-portas. É por isso que, quando alguém fala em Opala SS, a imagem que vem à cabeça é a de um cupê com faixas pretas.
O Maverick V8 e o nascimento do motor 250-S
A festa do Opala SS foi atrapalhada em 1973, quando a Ford lançou o Maverick. A versão GT trazia um V8 de 302 polegadas cúbicas (4.942 cm³) que, nas palavras do Autoentusiastas, dava um verdadeiro banho no SS em desempenho. Nas pistas, o Maverick V8 passeava sobre o Opala.
A reação da GM foi rápida. A engenharia de motores preparou o 250-S: a taxa de compressão subiu de 7,5:1 para 8,5:1, o comando de válvulas era especial, com tuchos mecânicos, e o carburador passou a ser de corpo duplo. A potência é citada de dois jeitos: 171 cv brutos no Autoentusiastas e na Wikipédia, e 153 cv na Vrum. O motor foi oferecido como opcional e, a partir de 1976, passou a ser de série no Opala SS, que chegava perto dos 200 km/h, segundo a Vrum.

SS4: o Opala esportivo de quatro cilindros
No meio dessa corrida por potência, a crise do petróleo de 1973 mudou o clima. Para a linha 1974, a Chevrolet lançou o SS4: o mesmo visual esportivo, mas com o motor de quatro cilindros de 2,5 litros. Era um Opala de aparência esportiva e gosto econômico. Mais tarde, o quatro cilindros ganhou versões mais vivas, como o 151-S, com coletor de admissão de alumínio e carburador de corpo duplo, pensadas para a opção SS, e, a partir de 1980, a opção a álcool.

Caravan SS e os anos finais
Em 1978 a perua Caravan também ganhou a versão SS, produzida até 1980, segundo o Autoentusiastas. As fontes divergem sobre quando o esportivo saiu de linha: o Autoentusiastas e a Wikipédia falam em algo como o início dos anos 1980, enquanto a Vrum registra 1992, o último ano do Opala, como o fim do SS. Por isso, vale conferir cada exemplar pelos documentos e pelo ano de fabricação.
O Opala SS nas pistas
O seis cilindros do Opala fez história nas corridas. Na Stock Car brasileira, o Opala foi durante anos o carro único das equipes, e o motor 250-S, preparado para competição, era a base da mecânica. A foto abaixo mostra um deles, de um Opala de 1992 que pertenceu a Wilson Fittipaldi Júnior, hoje no Museu do Automobilismo Brasileiro. É a versão de corrida: o motor de rua do SS não vinha com gaiola nem com esse preparo.


Como reconhecer um Opala SS de verdade
Como todo clássico valorizado, o Opala SS tem muita imitação: muitos Opalas comuns ganharam faixas pretas e emblemas ao longo dos anos. Antes de comprar, confira a documentação, procure o conta-giros e os bancos dianteiros individuais, o câmbio no assoalho e o tipo de motor (4100 ou 250-S nas versões de seis cilindros), e, se possível, peça a opinião de um clube do modelo. Um SS legítimo e original vale muito mais do que um clone bem-feito. Para outros esportivos nacionais da mesma época, veja a história do Ford Corcel GT e as demais em Modelos e Histórias.
Ficha técnica do Opala SS
- Estreia: 1970 (1971 em algumas fontes), primeiro como quatro-portas
- Carrocerias: quatro-portas no começo; cupê a partir de 1972; perua Caravan SS de 1978 a 1980
- Motor 4100: seis cilindros em linha, 4.093 cm³, cerca de 140 cv
- Motor 250-S: o mesmo 4100 preparado, com comando de tuchos mecânicos, carburador de corpo duplo e compressão de 8,5:1; 171 cv brutos (ou 153 cv, conforme a fonte); de série no SS a partir de 1976
- Câmbio: manual de quatro marchas com alavanca no assoalho
- Interior: dois bancos dianteiros individuais, volante de três raios e conta-giros
- SS4: versão de quatro cilindros de 2,5 litros, a partir da linha 1974
Perguntas frequentes sobre o Opala SS
O que significa a sigla SS no Opala?
A explicação mais citada é Separate Seats, ou bancos separados, porque o SS foi o primeiro Opala com dois bancos dianteiros individuais. Muita gente lê Super Sport, e a GM nunca confirmou nem desmentiu essas versões.
Quantos cavalos tinha o Opala SS?
O primeiro SS, com o motor 4100, tinha 140 cv. O 250-S, que virou item de série a partir de 1976, aparece com 171 cv brutos em algumas fontes e 153 cv em outras.
O Opala SS era mais rápido que o Maverick GT?
No começo, não: o Maverick GT, com V8 de 4,9 litros, levava vantagem. A GM respondeu com o motor 250-S, que fez o Opala voltar a brigar de igual para igual nas pistas e nas ruas.
O que é o Opala SS4?
É a versão esportiva de quatro cilindros, lançada para a linha 1974 depois da crise do petróleo. Tinha o visual do SS, mas o motor de 2,5 litros.
Quer ver o Opala em movimento? Assista ao episódio do Farol Redondo sobre o carro:
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Fontes consultadas
- Autoentusiastas: Opala SS, o tiro certeiro da GM na Ford
- Autoentusiastas: Opala, 24 anos de sucesso
- Vrum: a história do Projeto 676
- Wikipédia: Chevrolet Opala
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